terça-feira, 26 de abril de 2011

Me alugo pra sonhar

Quando pequena, costumava pensar que o mundo de verdade estava dentro de mim. Muitas vezes ficava alheia ao que acontecia ao meu redor, me voltando para dentro, numa tentativa de dar sentido às coisas. Mas aí, de tanto me esconder, ele veio ao meu encontro de uma forma feroz. É, ele mesmo, o mundo. Veio ao meu encontro. Como poderia reagir? Não sei. Ainda não sei. Esse mundo, na verdade, esse mundo.... acho que ele não me serve. Como posso eu viver num mundo assim?

Talvez por isso minhas perplexidades são tão evidentes. Me questiono e questiono tudo à minha volta. Pra mim é tão natural que seria espantoso não o fazer.

Eu tento encontrar a cor que me serve. Já me vesti de preto, azul, rosa... Já me vesti de tantas cores que nem me lembro mais. Nenhuma delas me serviu. De já não me lembrar, não é de se espantar que o esquecimento de mim mesma fosse me tomando, aos pouquinhos, como o mar que avança devagarzinho, a cada mês, a cada ano.



"— Em termos concretos — perguntei no fim —, o que ela fazia?

— Nada — respondeu ele, com certo desencanto. — Sonhava." (GGM)



É, acho que é isso. Eu me alugo pra sonhar. E nesse estado de coisas, é o que eu tenho de mais precioso.